22 de abril de 2009

Contos de pescador ou contos de pregador?


parte 1

EM Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo)- Romanos 9:1

Durante a minha infância, por diversas vezes ouvi a seguinte exclamação: “Isto é conto de pescador!”. Confesso que na prática, somente fui entender o contexto desta ‘pérola’ muitos anos mais tarde.

Como toda criança da capital; nunca precisei pescar para comer, aliás, penso que se dependesse da pescaria para sobreviver, já estaria debaixo de sete palmos de terra, pois, a única vez em que me atrevi pescar, às margens do rio Paraopeba; levei três dias para apanhar apenas um peixinho de aquário... (rsrs)

Um belo dia, ao conversar com um vizinho “metido a pescador”; passei a entender o que seria o tal: conto de pescador. O dito cujo, por quase duas horas, incansavelmente, tentou-me convencer de que encontrara a chave de seu automóvel (perdida às margens do rio São Francisco) dentro da barriga do peixe que ele mesmo havia pescado.

Particularmente, depois de algumas pesquisas, ainda não encontrei a origem da expressão: “conto de pescador”; somente sei que se trata de uma enunciação idiomática, em tom irônico, empregada em forma de hipérbole (exagero) ao se ouvir uma narrativa de gênero inverossímil (inacreditável), ou seja, são estórias ‘absurdas’ que como diriam os antigos: até Deus duvida!

Pois é, ao fazer uma retrospecção de meu ministério, lembrei-me de alguns casos que quando trago a tona, algumas pessoas ficam boquiabertas e duvidosas quanto à veracidade dos mesmos, todavia, afirmo com toda conta ‘convicção’, não são contos de pescador, mas, contos de pregador!

Desde criança, sempre fui apaixonado pela explanação da Palavra de Deus; com apenas oito anos de idade, lembro-me que, por diversas vezes, pedia ao meu pastor uma oportunidade para ler um versículo da Palavra de Deus; bondosamente, o saudoso pastor Murilo (conhecido carinhosamente como irmão Murilo); devido a minha baixa estatura, colocava-me em cima de uma cadeira para que a congregação pudesse me visualizar; e lá, diante daqueles olhares curiosos, com muito entusiasmo, abria a Bíblia e lia aqueles versículos que a maioria dos ‘cristãos’ não gosta de ouvir: arrependei-vos raças de víboras! Sepulcros caiados! Honram-me com os lábios, mas o coração está longe de Mim! Aquele que não toma a sua cruz e não nega a si mesmo não é digno de mim! Etc., e, para finalizar, cantava com muita dificuldade uma ‘canção’ que dizia: “você têm que nascer de novo! Você tem que nascer de novo! Você tem que nascer de novo!”.

Apesar do amor e da dedicação do pastor Murilo, sempre fui ciente das dificuldades que encontraria futuramente, pois, devido a uma falha médica, contraí no parto, seqüelas de paralisia cerebral, e desde pequeno comecei a sofrer com o preconceito e com as discriminações populares.

Infelizmente, quando comecei a entender melhor as coisas, devido às seqüelas motoras e na voz (falava com muita dificuldade), fiquei acanhado, tímido e, cheio de complexos afastei-me dos púlpitos, isto é, rejeitava as oportunidades que recebia.

Todavia, a chama que ardia em meu peito, graças a Deus, não se apagou e, quase dez anos depois, agora com 18 anos, crescido e consciente da minha chamada, resolvi abandonar os complexos e fazer tudo àquilo que viesse a minhas mãos.

Em 1999 perguntei ao meu pastor se havia alguma atividade na igreja que eu pudesse realizar, entretanto, o preconceito entrou novamente em cena, e o tal ‘pastor’ me disse: “sua deficiência não lhe permiti trabalhar na igreja, fica quieto no último banco e você estará me ajudando muito” (adaptação do autor). Felizmente, fui rejeitado por ele, mas, não por Deus.

No ano 2000 fui batizado em águas, coloquei a mão no arado e não olhei para trás. Hoje, sem titubear, digo: sou fruto da misericórdia divina e agraciado pelo dom da Palavra. Dia a dia tenho visto o crescimento das minhas agendas, em nove anos de ministério, tenho contemplado a fidelidade de Deus para comigo, porém, como dizem os antigos: o ministério tem o ônus e o bônus, e são estes ‘ônus’ que quero compartilhar com vocês leitores, mas, lembrem-se: são contos de pregador e não contos de pescador.

Como todo bom ‘pregador’, antes de sair por ai pregando, dediquei boa parte de meu tempo a cargos eclesiásticos, tenho no meu currículo as seguintes funções: secretário geral da congregação; secretário de missões; líder do departamento teatral; coordenador local e regional de missões; professor e superintendente da Escola Bíblica Dominical; presidente de Agencia Missionária Batista, diácono, presbítero e pastor local de duas congregações assembléianas.

As primeiras ministrações fora do meu ‘redil’ (em outras congregações e denominações), foram marcadas por muito entusiasmo, oração e devoção na Palavra, no entanto, a inexperiência e principalmente a falta de ‘status’ proporcionaram-me momentos ‘inesquecíveis’.

Lembro-me as diversas vezes que tive que utilizar duas ou três conduções para chegar às congregações; a falta de um veículo automotivo é desgastante para um pregador! E o pior, no inicio não se ganha nem o dinheiro da passagem; mas, a empolgação e o chamado compensam qualquer sacrifício!

A primeira vez que preguei fora das Assembléias de Deus, foi numa noite de quinta-feira; a convite de um amigo, cheguei ao tal ‘ministério’ às 19:40 hs. A reunião já estava bem adiantada, o templo repleto de pessoas. Ao adentrar pelo corredor do meio, fui acompanhado por olhares curiosos e preconceituosos; alguns balbuciavam: este ai é o pregador!

Quando me aproximei do altar, o pastor com olhar discriminante, me indagou: você consegue ‘falar’ pelo menos dez minutos! Nessa hora, fiquei pasmo, gaguejando e tremendo, mas, sem vacilar, disse: uma hora para mim basta!

Pela infinita misericórdia de Deus, apesar de cometer alguns erros de iniciante, conduzi bem à mensagem, e o sair daquele templo, já havia agendado com o tal pastor para mais duas de suas congregações em Minas, e para uma das congregações no Estado do Rio de Janeiro.

Uma das minhas primeiras viagens para o interior de Minas foi inesquecível, ao chegar à cidade de Cachoeira dos Brumados, sábado à noite, culto de Santa Ceia, deparei-me com uma situação inédita: depois de fortes chuvas sobre a região, a energia elétrica estava inativa, ou seja, a congregação estava às escuras. O pastor daquela congregação me disse: Será que o irmão dará conta de pregar sem o uso da aparelhagem de som? Eu respondi: vou tentar!

Todavia, algo repentino me aconteceu... A nave do templo estava repleta de insetos voadores e, de repente, sem perceber, acabei engolindo um deles. Imediatamente, comecei a pigarrear (limpar a garganta), pois, o inseto havia ‘estacionado’ no meio da garganta. Diante do aparente fracasso do pigarro, comecei a gritar para os diáconos: “água, água, água!”. Naquela hora, em meio à escuridão, os diáconos, bem como toda a congregação, pensaram que eu estava falando em línguas, e começaram a sapatear, pular e a gritar; acredite se quiser, foi um grande ‘pentecostes’ interiorano.

Poucos dias depois, recebi um convite para ministrar numa festividade do Círculo de Oração de uma outra denominação. Como era uma sexta-feira, noite de abertura, resolvi ir direto do serviço para a igreja.

Cheguei ao local por volta das 19:30 hs, cansado, faminto (pois só havia almoçado), mas alegre; afinal, era uma das primeiras festividades que ministraria! Contudo, o desenrolar do ‘culto’ me deixou totalmente inquieto. Fiquei perplexo com a falta de organização, pois já havia passado das 22:00 hs e a cantarolada continuava. Impetuosamente, o pastor aproximou-se e disse: nós vamos ouvir mais um cântico e depois o irmão entra com o testemunho!

Ao perceber que muitos já estavam do lado de fora, e o horário impróprio para tal coisa, disse ao pastor: “Amado, não me leve a mal, mas, vamos deixar o testemunho para outro dia, pois já são 22:20 hs e o meu testemunho dura mais de uma hora”. Naquele momento, o ‘pastor’, ou melhor, o comandante, replicou: faça o que estou mandando!

Subitamente, uma irmã subiu no altar em minha direção e disse: não temas! Faça aquilo que está no teu coração! Não temes o que te possa fazer o homem!
Neste momento, foi me dado à oportunidade, e ao fazer uso do microfone, convidei a todos os que estavam do lado de fora para entrar, pois o ‘culto’ já estava próximo do fim... Esperei alguns momentos, agradeci as irmãs pelo convite, li um texto do livro de Neemias, proferi um breve comentário de 5 minutos, fiz o apelo e devolvi o microfone.

Ao retornar para minha residência, dentro do carro daquele pastor, sofri uma das maiores agressões verbais da minha vida; fui chamado de moleque, desobediente e para encerrar as suas agressões, aquele ‘pastor’ me disse: “na minha igreja eu mando e pregador obedece!”. Nesta hora, não hesitei e repliquei: importa obedecer a Deus do que a homens!

Infelizmente, não são poucos os casos de pregador que tenho para contar, em nove anos de ministério, já vivi poucas e boas, conquanto, quero encerrar esta primeira parte (outras certamente virão), relatando um triste episódio que vivenciei no sul de Minas Gerais.

No ano de 2007, recebi a incumbência de representar o meu pastor, numa festividade em uma da cidade no sul de Minas; prontamente, desmarquei um outro compromisso pessoal, peguei o meu Gol, motor AP, ano 86 e dirigi em direção à referida cidade. Ao chegar à área central, constatei que a ‘igreja’ era composta, em sua maioria, por cristãos financeiramente resolvidos; o templo era bem localizado, possuía um amplo estacionamento e uma boa estrutura funcional; ao presenciar as ‘máquinas’ automotivas estacionadas, fiquei constrangido com o meu velho GOL quadrado, então resolvi estaciona-lo na rua, bem distante do estacionamento da igreja.

Ao adentrar o templo, contemplei olhares curiosos na minha direção, então, me identifiquei para um dos diáconos, e este, por sua vez, me conduziu ao altar que estava repleto de autoridades, pastores, bispos, empresários e políticos.

Ao fazer uma breve oração de joelhos, sentei-me e ouvi uma das coisas mais aberrantes da minha vida: “a congregação está repleta de amigos, convidados e pastores de outras denominações, portanto, vamos te dar 20 minutos para a explanação da Palavra, você prega para agradar o povo, e as próximas agendas surgirão para você”; ao ouvir tal desvario da boca de um dos pastores, pensei: ele não me conhece, mas a partir de hoje, vai ficar conhecendo! Naquela noite, preguei 50 minutos sobre o seguinte tema: “É melhor lavar os pés do que as mãos!”.

Está curioso para ver o conteúdo desta mensagem? Então assista ao vídeo a seguir.
Que a graça de Deus superabunde em nós!

http://www.youtube.com/watch?v=Bd1ijm12Jnc


continuação


Você pode adquirir esta mensagem


OBS: O conteúdo da mensagem é o mesmo, todavia, este dvd foi gravado numa outra igreja, com uma qualidade de imagem muito melhor do que a apresentada no youtube.
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8 comentários:

Vicente de Paulo disse...

Paz pastor Sylas, gostei muito da postagem e também achei essa mensagem muito importante e necessária para muitas igrejas, onde predominam a superficialidade e a hipocrisia. Que o Senhor continue fazendo o seu ministério prosperar

sylasneves disse...

Querido irmão e professor Vicente,

A Paz do Senhor!

Obrigado por ter lido, gostado e postado um comentário acerca desse artigo.
Infelizmente, o senhor está certo, muitas "igrejas" estão mergulhadas na superficialidade e hipocrisia, contudo, cabe a nós, amantes da Palavra, não levarmos as nossas mãos na "bacia" dos covardes.

Que o Soberano continue a vos iluminar.

Cristiano Santana disse...

Prezado irmão

Informo que acabei de tornar-se seguidor desse blog. Deus continue abençoando esse importante veículo de divulgação do verdadeiro Evangelho

Cristiano Santana
http://cristisantana.blogspot.com

Obs.: Sugiro excluir o comentário, após a leitura

Silvinha disse...

recebi um convite na UBE pra visitar teu blog e cá estou (e lembrei que já estive anteriormente).
estava vendo os livros que vc leu nos anos passados e caso não tenha lido, recomendo o livro "o avivamento do odre novo" do Pr. Coty, da Jocum (inclusive o livro se não me engano só está a venda pelo site da própria Jocum).
[ ]´s e fica na Paz de Cristo!

Pastor Cicero disse...

Graça e paz. Gostei bastante do seu blog e das suas mensagens. Deus continue te dando muita graça meu irmão, vá em frente varão, o Senhor é contigo. Um abraço fica na paz.

sylasneves disse...

Irmão Cristiano Santana,

Graça e Paz!

Obrigado por se tornar seguidor deste blog.

sylasneves disse...

Irmã Silvinha,

Obrigado por visitar o meu blog e, indicar o livro para leitura.
O título é chamativo e curioso, sem dúvida lerei este livro.

Grato

sylasneves disse...

Pastor Cícero,

Obrigado por sua visita, e principalmente, por suas palavras, pois, elas servem de incentivo para mim.

Fica na Paz de Cristo.